CASQUEAMENTO
O casqueamento corretivo deve se
iniciar em animais de 2 meses de idade que possuam desvios considerados mais
severos, mas normalmente, em animais de desvios considerados normais iniciamos
aos 4 (quatro) meses de idade. Lembrando que só conseguimos realizar as
correções de casco até os 12 meses de idade devido ao fechamento das
cartilagens que antes eram macias e podíamos “moldar” para corrigirmos os
defeitos de aprumos.
O casqueamento em potros não se
deve tirar muito material, deve-se retirar material aos poucos para ele não
sentir dor no local. A ranilha não deve ser cortada devemos apenas limpar o
canal ao redor dela, ela serve como amortecedor, e quando o animal caminha ela
serve como uma bomba que leva sangue a todo casco fazendo com que este casco
cresça corretamente deixando-o sempre bem vascularizado. Na sola devemos tirar
apenas a parte morta (bem superficial). Na parede do casco devemos apenas
nivelar os cascos para que não ocorram lesões no casco nem nas articulações. O
desnivelamento para correção de aprumos deve ser feito apenas por
profissionais.
Após os 12 meses de idade (1 ano)
devemos respeitar os desvios de aprumos somente nivelando os cascos, já que
qualquer tentativa de correção nesta fase forçará muito a bolsa que contém o
liquido sinovial (que serve como lubrificante das articulações) e esta poderá
se romper levando a lesões sérias nas articulações, podendo até impedir a
funcionalidade do animal.
Em animais adultos devemos fazer
o casqueamento (nivelamento do casco) a cada 30 dias para obtermos melhores
resultados. Através do casqueamento podemos também melhorar o desempenho dos
animais de pista. Por exemplo, um animal de marcha mais dura (de apoios
diagonais) podemos tirar mais casco na região dos talões (parte de trás dos
cascos) e deixar um pouco mais na região da pinça (parte da frente do casco),
chamamos isso de achinelamento, para melhorar o “amortecimento” através das
quartelas que são responsáveis para esta atuação, melhorando desta forma também
a movimentação dos membros dos animais, dando assim maior beleza no andamento. Devemos
alterar no máximo em 3° para mais ou para menos do que é recomendado para cada
animal para evitarmos lesões e afecções de boletos e articulações em geral
(veja no primeiro parágrafo sobre ferrageamento). Nem sempre um trabalho feito
em um cavalo tem um mesmo efeito em outro por terem angulações diferentes.
Podemos sim melhorar o desempenho
dos animais com casqueamento ou ferrageamento sempre lembrando que estas
alterações logicamente não serão refletidas na produção de filhotes, por isso
devemos selecionar sempre os melhores animais dentro dos padrões que
pretendemos.
Problemas mais freqüentes
encontrados nos cascos dos animais
Os defeitos mais freqüentes na
forma dos cascos são os talões estreitos (contraídos), talões escorridos
(adiantados), parede estreita (com mais freqüência na região do quartos),
desbalanceamento médio lateral da pinça ou de todo o casco, casco encastelado
(talões excessivamente altos), casco achinelado (pinça excessivamente crescida).
Não se esqueça: Antes de
começar a corrigir qualquer defeito de aprumo, coloque os cascos na sua
condição anatômica ideal, ou seja, eixo ântero-posterior alinhado (ângulo do
casco igual ao da paleta) e cascos balanceados (metades iguais).
FERRAGEAMENTO
Primeiro falaremos das angulações
já que estas servem tanto para o casqueamento quanto para o ferrageamento:
Em animais de marcha batida e
centro os membros anteriores (mãos) trabalham normalmente com 55° podendo
variar até 52° já que acima dos 55° a tendência de endurecer os animais de
marcha aumenta muito. Nos membros posteriores (pés) a angulação média está em
torno dos 60°.
Na marcha picada a angulação
média dos membros anteriores é de 50
a 52° e nos membros posteriores é de 55° podendo ser até
menos já que nesta modalidade tem maior prevalência de animais acurvilhados.
Não é aconselhado mudar a
angulação dos cascos mais de 3° para mais ou para menos em qualquer um dos
membros.
FERRAGEAMENTO CORRETIVO
Atualmente para correção de
problemas de desnivelamento mais sério nos cascos temos ferraduras com um
parafuso nos talões (parte de trás dos cascos) que o ferreiro poderá regular da
maneira que achar conveniente e assim corrigir problemas de joelhos abetos ou
fechados comuns em animais de marcha, evitando aquele ferrageamento com meia
ferradura que era utilizada há tempos atrás e trazia problemas sérios ao animal
com o passar do tempo.
Pequenas alterações nas
angulações do cavalo de marcha poderão ser terríveis em relação à qualidade da
marcha, principalmente nos cascos anteriores. Por isso devemos avaliar muito
bem a qualidade e formato dos cascos, desbalanceamento, desvios de aprumos,
ângulo de inclinação das quartelas e espáduas, ângulo de inclinação das pernas
e dos jarretes além de eventuais deficiências na marcha.
CORREÇÕES NOS TIPOS DE ANDAMENTO
Na andadura podemos tentar o seguinte:
Ferrar as mãos com ferraduras
mais pesadas e os pés com ferraduras mais leves ou até sem ferraduras nos
posteriores (pés). A segunda tentativa seria a de deixar os talões (parte de
trás dos cascos) maiores lembrando sempre dos 3° limites acima do considerado
normal para cada cavalo. O terceiro recurso seria colocar uma corrente nas
quartelas das mãos com protetor de mangueira ou de couro para não ferir seu animal.
Treinar o animal a passo também ajuda muito para ele encartar na marcha.
Na marcha trotada já é o contrário da andadura, devemos utilizar
ferraduras leves nas mãos e pesadas nos pés, podemos também tirar mais cascos
nos talões deixando a pinça maior. A terceira opção seria colocar correntes
encapadas com mangueira ou couro nas quartelas dos membros posteriores (pés).
Descer morros ajuda demais na dissociação dos animais com diagramas mais
diagonais.
FERRADURAS DE ALTO DESEMPENHO
As ferraduras de alto desempenho
ainda não são rotineiramente utilizadas para cavalos de marcha no Brasil. As
tradicionais são as ferraduras de pinça quadrada, que exercem a função básica
de proporcionar mais retidão aos deslocamentos, o que se reveste de especial
importância nos julgamentos de morfologia, na etapa da avaliação dos aprumos.
Também servem para melhorar o estilo da marcha, além de eventuais ganhos na
regularidade e desenvolvimento. Outros tipos de ferraduras de alto desempenho
são as frisadas, que favorecem a melhor aderência, o que pode ser vantajoso em
pistas escorregadias. Os desenhos de frisos são variados.
Independente de qual seja o andamento desejável, ferreiros nunca devem esquecer
os princípios que fundamentam esta técnica especializada que é o ferrageamento.
Alguns destes princípios:
- As ferraduras devem estar em tamanho apropriado para os cascos,
proporcionando suporte homogêneo ao redor dos quartos e talões;
- Não pode haver sobras de ferraduras. Estas são como a continuação dos cascos;
- Não se prepara o casco para a ferradura, mas sim a ferradura para o casco;
- O ângulo do casco não deve variar mais do que três graus em relação ao ângulo
natural, sob pena de provocar afecções. Nestes casos, o cavalo precisa se
acostumar com a mudança de angulação, que traz estresse imediato sobre os
tendões.
Qualquer artifício tende a representar solução temporária. A solução permanente
é selecionar bons marchadores, de cascaria saudável e bem conformada, bem
aprumados, de forte constituição ósseo-muscular, submetidos a um manejo
profissionalmente conduzido.
FERRADURAS MAIS APROPRIADAS
Devemos utilizar ferraduras com 5
ou 6 furos em cada metade da ferradura para podermos realizar as correções,
principalmente em animais chamados de “remadores” (que jogam as mãos para fora
ao marcharem). A correção deste problema é bem simples e segue o princípio do pêndulo,
a pinça voa para o lado mais pesado do casco, sendo assim para balancearmos o
casco devemos colocar mais cravos na parte interna da ferradura, por isso o uso
de ferraduras com 6 craveiras é mais indicado.
Não deixe, também, de devolver o
“vernis” das partes lixadas, após a aparação do casco, usando o Cascotônico.
Matéria escrita sob orientação de
artigos escritos por Lúcio Sérgio de Andrade
formado em Zootecnia pela UFLA – Universidade Federal de Lavras - MG,
com curso de especialização na Texas A&M University – USA, pesquisador,
escritor, produtor de vídeos tecno-educativos, instrutor de cursos, arbitro de
eqüídeos marchadores.
Matéria montada por: Alexandre Werner Breder - Integrante do Blog de Medicina Veterinária Univértix.