sábado, 17 de abril de 2010

A história do Marchador




Não há uma única versão para o surgimento da raça, contudo prevalece para muitos a idéia de seu surgimento a partir da coudelaria Alter Real. Seriam os nobres da Corte portuguesa que, após sua chegada, com os cavalos de raças ibéricas em tempos de colonização tornaram possível o desenvolver da raça.

Em 1812, o barão de Alfenas chamado Gabriel Francisco Junqueira teria ganhado de D. João VI um garanhão da raça alter Real e, desse modo, iniciado sua criação cruzando-o garanhão com éguas comuns da Fazenda Campo Alegre, situada no Sul de Minas Gerais. Esse cruzamento daria forma a um novo tipo de cavalo. Denominaram-no Sublime dado sua forma de andar macio.

O proprietário da Fazenda chamada Mangalarga interessou-se pela nova raça e investiu na aquisição de Sublimes para seu uso em região próxima à Corte no Rio de Janeiro.

A sede da corte imperial adotaria o cavalo pelo seu ótimo porte e andamento. Deu-se, então, o apelido de Mangalarga por saberem ser esse o nome da fazenda de onde surgiram.



Postado por: Natália Mayrinck

Minas no páreo da criação de marchadores


A raça Mangalarga Marchador é uma raça de cavalos tipicamente brasileira, e já se encontra a mais de 200 anos no país.
O seu berço é em Minas Gerais, mais especificamente no sul do Estado.
O Sul de Minas, não por acaso, registra um grande número de campeões da raça. Um dos motivos é a qualidade dos serviços e o investimento no apuro genético da raça. Mas outro fator que não pode ser deixado de lado é a condição climática e ambiental. O sul do Estado mineiro tem temperaturas mais amenas e possibilita um bom manejo da raça. Sabe-se que o maior número de proprietários da raça Mangalarga Marchador se concentra no Estado. Paisagens como a que se posta acima é muito comum. O verde predomina e as montanhas alternam-se suaves com baixadas cheias do mesmo verde.
Uma boa sugestão é visitar as tradicionais famílias que lá dedicam bom tempo ao trato desses animais, uma tradição ducentenária.


Postado por: Natália Mayrinck

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Labrador




Nome da Raça: Labrador
Países onde a raça é recorrente : Canadá e Reino Unido
Origem: Canadá


Descrição da Raça
Retriever do Labrador ou carinhosamente, Labrador, é uma das mais conhecidas raças de cães. Notabiliza-se por sua amabilidade, inteligência e obediência. Devido a estas características, são frequentemente treinados para cães de caça, de assistência, como cães-guia ou de serviço.

A raça Labrador é uma das mais populares em todo o mundo, em especial nos Estados Unidos da América (EUA) e na Europa.

Ótimo cão de companhia, mas atenção, pois estes cães adoram estar na presença de humanos e odeia estar sozinhos.

Devemos lembrar que o comportamento tem base na genética e a educação do cão.

Os Labradores são cães com bastante energia enquanto cachorros. Isso significa que eles são como crianças, e se deixados sozinhos com objetos perigosos por perto, irão fazer a sua "arte". Quando adultos, diminuem a atividade física espontânea, mas não perdem o espírito brincalhão e amigo, estando sempre dispostos a mais um passeio com o dono ou mais uma corrida com as crianças.

Como estão sempre dispostos a agradar o dono, aprendem facilmente a cumprir as mais diversificadas ordens ou realizar as mais diferentes atividades. Adoram brincar e gostam muito de água, as crianças são a sua paixão protegendo-as lealmente até ao fim.

Um Labrador sem companhia não se desenvolve de forma saudável, os labradores da atualidade foram tornados cães de família, habituados a viver rodeados de gente à sua volta e a receber mil e um mimos diários.

Seu porte: Pelo padrão, as fêmeas devem medir entre 54 e 56 cm e os machos entre 56 e 57. Labradores em boa forma pesam, em média, entre 37 e 42 quilos, dependendo do sexo e genética.

A pelagem é dupla: tem pêlo mais duro e comprido e subpêlo que você vê abrindo a pelagem.

Quanto à saúde, Labradores não costumam ter maiores problemas.


Pessoal todo o dia estarei disponibilizando uma raça com suas características neste blog, e o destaque de hoje é o labrador.

Postado por: Deyvid Lopes

PRATICIDADE

PRATICIDADE

Substituto de leite p/ gatos:


90 ml leite condensado
90 ml água
120 ml yogurte natural
4 gemas de ovo peq.
Bata tudo no liquidificador e guarde na geladeira.
Na hora de dar, amorne só o que vai utilizar e dê em contagotas ou mamadeira
própria para gatinhos.

Substituto de leite para cães

120 ml leite
120 ml água
2-4 gemas de ovo
1 colh. chá óleo vegetal.
20 mg glutamato de cálcio
Mel opcional.
Produtos comerciais apresentam baixas calorias:
acrescentar óleo vegetal
1-2 colh. chá / frasco sucedâneo.
Em caso de diarréia(c/ vermelhidão ao redor do ânus):
substituir 50% por água.
Após melhora ir aumentando gradativamente até o total.




Postado por : Natália Mayrinck

VERMINOSES, VERMES, VERMÍFUGOS COMERCIAIS E NATURAIS PARA CÃES E GATOS

O que precisamos saber...

Verminoses são doenças causadas por vermes que se alojam principalmente nos intestinos, mas que também podem afetar outros órgãos como esôfago, estômago, coração, pulmões, rins e fígado. Os danos decorrentes da infestação dependem de diversos fatores como a carga parasitária, a idade do animal, as condições imunológicas, o ambiente em que vivem com suas condições de higiene e manejo e o curso concomitante com outras doenças. As infecções podem apresentar sintomas leves como apetite caprichoso, perda de peso, tristeza, aumento de volume abdominal, pelos opacos, fezes moles, coceira anal ou sintomas mais acentuados que demonstram o comprometimento mais sério de um ou mais sistemas orgânicos como anorexia completa, diarréias severas com sangue e/ou muco, vômitos,desidratação, anemia, ascite (barriga d’água), obstrução de orgãos ocos(estômago, intestino, esôfago e coração), artérias e veias, assim como intoxicações proporcionadas por toxinas produzidas pelos parasitas ou pela sua ação direta sobre tecidos e mucosas.

VIAS DE TRANSMISSÃO DAS PARASITOSES
Existem várias formas de transmitir /adquirir parasitas: VIA ORAL que se dá através da ingestão de ovos, oocistos ou larvas infectantes encontradas no solo, diretamente relacionada com a higiene, manejo e densidade populacional e /ou pela ingestão de hospedeiros intermediários ( pequenos roedores, aves, insetos e parasitas externos) relacionados aos hábitos de caça e predadorismo;
VIA PERCUTÂNEA quando as larvas penetram através da pele do animal, estando relacionada com a contaminação/higiene do ambiente em que vivem; VIA TRANS-UTERINA relacionada a transmissão de larvas da mãe ao filhote ainda dentro do útero materno; VIA GALACTOGÊNICA quando a contaminação se dá através do aleitamento.

EDUCANDO...
Além da transmissão de vermes entre indivíduos da mesma espécie (intraespecífica), a ocorrência de transmissão entre espécies diferentes (interespecífica) e especialmente dos animais ao homem (zoonoses) evidencia a importância do papel dos médicos veterinários como agentes promotores em saúde pública de forma a difundir conhecimentos e educar proprietários, criadores, cuidadores e poder público. A eficácia e segurança dos novos produtos disponíveis para a prevenção e controle das verminoses não impediram que doenças parasitárias emergissem ou reemergissem como um sério problema em animais de companhia.
As grandes descobertas da indústria farmacêutica antiparasitária veterinária, aos moldes da industria de vacinas já mencionadas em outros artigos deste blog, acabaram por promover protocolos únicos de desverminação, desconsiderando novamente a individualidade de cada paciente ou de cada grupo de pacientes, levando veterinários clínicos e proprietários a dispensarem a utilização de exames coproparasitológicos (exame de fezes) na prática clínica diária. A falta de prestígio de tal atividade deve-se principalmente aos interesses comerciais da venda e aplicação indiscriminada de antiparasitários, fonte de renda certa nas clínicas e petshops de todo o mundo. Desta forma, porque então lidar com um material nauseabundo e fétido se podemos simplesmente prescrever um vermífugo comercial 2,3 ou 4x ao ano e ainda obtermos lucros com isso? Já imaginaram a quantidade de vezes que os nossos amigos peludos foram dosificados com esses medicamentos sem haver necessidade? Ou talvez com esquemas errados que não afetam os vermes que realmente estão presentes no seu amigão? Não pensem que estes produtos são inócuos (livres de efeitos indesejáveis) quando administrados incorretamente. Podem apresentar efeitos desagradáveis, leves/moderados/sérios e devem ser usados sim, mas com critérios médicos individualizados em cada caso. Quando se recomenda um vermífugo deve-se levar em conta se ele atua sobre o verme encontrado; qual o período pré patente (ppp) deste verme, que é o período entre a infestação, desenvolvimento de larva/ovo infectante e eliminação dos mesmos como fonte de contaminação; condição clínica do paciente: contaminação ambiental; introdução de novos indivíduos; coberturas; gestações, enfim tudo o que é necessário para uma máxima atuação do medicamento e minimização dos riscos a saúde do seu amigão.

PRINCIPAIS PARASITAS DE CÃES E GATOS (1):

Toxocara canis (cão) não necessita de hospedeiro intermediário mas a ingestão de ovos por aves e pequenos mamíferos que depois venham a ser ingeridos por cães podem contaminá-lo; VIAS DE TRANSMISSÂO (VT): oral, transmamária e intra uterina. Afeta principalmente filhotes causando dor abdominal, diarréia e vômitos; em adultos é assintomática mas continuam contaminando o ambiente.
Localização: intestino delgado (ID) na forma adulta. Larvas podem ser encontradas em pulmões, músculos, sistema nervoso e fígado.
PPP = 2-4 semanas dependendo da via de infecção (o reforço do vermífugo depende deste período).
Potencial zoonótico: larva migrans visceral ( larvas migram em órgãos como o fígado . lesando-o) e larva migrans ocular (cegueira!).

Toxocara cati (gato) não necessita de hospedeiro intermediário mas a ingestão de ovos por aves e pequenos mamíferos, que depois venham a ser ingeridos por gatos, podem contaminá-lo; VIAS DE TRANSMISSÂO (VT): oral e transmamária.
PPP= 8 semanas

Toxascaris leonina (cães e gatos) não necessita de hospedeiro intermediário mas a ingestão de ovos por aves e pequenos mamíferos que depois venham a ser ingeridos por cães e gatos podem contaminá-los. VIAS DE TRANSMISSÂO (VT): oral.
PPP= 10 semanas

Neste grupo chamado de Ascarídeos, após a utilização de vermífugos em animais extremamente parasitados, podem ocorrer reações alérgicas com edema e hemorragias intestinais nos locais onde os vermes estavam fixados na mucosa e esta reação pode ser fatal!

Sintomas clínicos: Em infecções maciças pode haver pneumonia, edema pulmonar, tosse, descarga nasal, aumento da freqüência respiratória, produção de muco nas fezes, obstrução e perfuração intestinal, peritonite.
Em animais jovens é importante repetir os exames caso resultado seja negativo.
GATOS não apresentam sintomas respiratórios.

CONTROLE AMBIENTAL
IMPORTANTE RESSALTAR QUE OS OVOS DESSES PARASITAS SÃO ALTAMENTE RESISTENTES ÀS CONDIÇÕES AMBIENTAIS, PODENDO PERSISTIR NO AMBIENTE POR ANOS!!
UTILIZAR CALOR SECO E DESINFETANTES A BASE DE AMÔNIA QUATERNÁRIA.
REPETIR A APLICAÇÃO A CADA 15 DIAS.
RECOLHER AS FEZES DIÁRIAMENTE TANTO NO AMBIENTE EM QUE O ANIMAL VIVE, QUANTO NOS PASSEIOS.
PARQUES INFANTIS E PRAIAS NÃO DEVEM SER FREQUENTADOS POR CÃES E GATOS.
É UMA QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA E VOCÊ TAMBÉM É O MAIOR RESPONSÁVEL!!!!!!


PROGRAMA DE VERMIFUGAÇÃO PARA ASCARÍDEOS:
Faça exames de fezes nos seus animais ao menos 2x/ano.
Maior importância deve ser dada para fêmeas em gestação! O ideal é vermifugar antes da cobertura, com 42 dias de gestação e 21 dias no pós parto.
Filhotes de cães de ninhadas MUITO infestadas: aos 15 dias, 30 dias, 45 dias, 60 dias
Filhotes de gatos: como não há infecção transplacentária, iniciar com 3 ou 4 semanas de vida. Repetir à cada 15 dias por 2 meses.
Febendazol é suficiente na dose de 50 mg/kg

Vermífugos naturais: esses sim podem ser dados sempre... alho cru, em pó, em cápsulas ou por decocção ( cortado em pedaços ou esmagado e fervido em recipiente tampado por alguns minutos - coar) ; farinha de semente de abóbora (secas e tostadas no forno, depois trituradas ou passadas no processador); hortelã pimenta ( usa-se o óleo e a infusão (água fervente é despejada sobre as plantas, e o recipiente tampado durante 10 a 15 minutos - para folhas secas: 4 colheres de sopa por litro de água, e para folhas frescas: 8 colheres de sopa por litro de água); losna (infusão de flores), mamona (óleo);

HOMEOPÁTICOS: o ideal nesse caso é utilizar o medicamento de fundo para que o indivíduo seja tratado como um todo e como conseqüência, expulse os vermes pra fora do seu organismo reequilibrado. Alguns medicamentos homeopáticos podem ser usados focando na presença de vermes, de forma organicista, física, mas a utilização do medicamento é melhor quando os sintomas mentais do medicamento também acompanham o paciente. O medicamento que mais utilizo no consultório é CINA MARITIMA ( verminose acompanhada de convulsões, indivíduo melindroso, não tolera o toque, grita quando é tocado, sono agitado, dorme melhor com a barriga pra baixoabdome duro e inchado, coceira em ânus e narinas, apetite exagerado que alterna com ausência de apetite).

Não deixe de procurar orientação veterinária, pergunte, questione, procure alternativas junto ao seu veterinário de confiança e não esqueça que cada caso é um caso, único e singular.

Tratando doentes e não doenças!!!

A homeopatia é um sistema médico-terapêutico proposto por Samuel Hahnemann há mais de 200 anos e baseia-se no princípio hipocrático da similitude (similia similibus currentur : semelhante cura semelhante).Com sua visão holística (holos= todo), oferece a possibilidade de tratar o indivíduo como um todo, como unidade psicofísica, levando em conta não somente os sintomas orgânicos específicos de cada órgão ou sistema, mas também promovendo uma integração destes sintomas com aquele indivíduo em especial, seu PSIQUISMO (desejos, aversões, medos, agressividade, socialização, etc.), e sua forma particular de reagir às influências do meio em que vive (clima,variações alimentares,condições de manejo,etc).
Considerando sua forma única de sofrer, reagir e adoecer, o médico homeopata é capaz de determinar o medicamento correspondente àquele indivíduo e desta forma reestabelecer a harmonia de sua energia vital (sutil, dinâmica e imaterial) que o anima.A esta retomada do equilíbrio da Energia Vital, chamamos CURAR. Curando o enfermo, veremos desaparecer sua enfermidade, prevenindo o aparecimento de outras piores, uma vez que um paciente não está enfermo porque tem uma enfermidade, e sim tem uma enfermidade, porque está enfermo.
Na medicina veterinária homeopática, podemos contar com sintomas ricos, já que nossos pacientinhos não dissimulam como os humanos, e sim, transparecem toda a sua vitalidade em atitudes, condutas, sentimentos, maneira de viver e relacionar-se com o mundo, e que bem observadas, nos fornecem valioso substrato terapêutico.No que se refere a problemas comportamentais como ansiedade de separação, destrutividade, fobias, agressividade, coprofagia, doenças psicosomáticas (como dermatite por lambedura, disturbios compulsivos, sucção de pelos, alopecia psicogênica, perseguição de cauda, etc) se pode controlar e equilibrar o indivíduo com medicamentos homeopáticos corretamente prescritos, associados à simples alterações de manejo, sem a necessidade de recorrer a psicofármacos de uso prolongado que há longo prazo deixam de fazer efeito ou provocam efeitos secundários deletérios.

VANTAGENS DO USO DA HOMEOPATIA EM VETERINÁRIA:

Não requer experimentação cruenta em animais

Não utiliza drogas de elaboração
industrial, artificial, tóxicas e/ou contaminantes

Pode prescindir de vacinas ou outros
meios artificiais para a prevenção das chamadas enfermidades contagiosas,
evitando assim, muitas vezes, sérios efeitos colaterais negativos

Promove terapêuticamente e favorece
ideológicamente mudanças de atitude vital, tanto dos pacientes quanto dos
terapêutas e cuidadores, ajudando na construção de um mundo melhor.

Custo baixíssimo!

Trata surtos epidêmicos em populações tanto
de forma profilática quanto terapêutica.

Ao reequilibrar a energia vital do enfermo,
Atua sobre o organismo como um todo (holos) melhorando não só os sintomas
físicos como também os mentais, melhorando as relações com o ambiente, os
sofrimentos, os medos, etc.


Postado por: Natália Mayrinck

Reflexões em torno de uma ética animal



Ao falar de uma ética animal, estaríamos pleiteando a utilização de diversos enfoques éticos para cada um dos seres ou sistemas que habitam o planeta, encontrando assim uma ética centrada no homem (antropocêntrica), outra centrada nos animais (zoocêntrica) e finalmente uma centrada na vida (biocêntrica). Esta última que adotaremos como eixo de reflexão, a BIOÉTICA.
Em nossa proposta, pretendemos refletir sobre os aspectos éticos da relação homem-animal, discutindo acerca do status moral dos animais, de seus "direitos" e finalmente revisar nossas "responsabilidades" éticas, morais e legais com outras formas de vida que compartilham o ambiente natural e artificial em que vivemos.
Estas reflexões nascem da possibilidade que oferecem as argumentações da bioética para abordar discussões sobre o sentido de nossas ações, decisões e atitudes sobre a vida e os animais. Nascem de uma vivência pessoal de compartilhar sua vida e sua morte, sua saúde e sua enfermidade, de estudar e observar sua conduta. Da insatisfação frente a perguntas e respostas sobre nossas diferenças e similitudes, do uso que damos a eles, e por conseguinte, de ‘ser’, mais que do que ‘fazer’, a Medicina veterinária.
Perguntas assumidas habitualmente por filósofos, escritores, jornalistas, advogados, e em menor proporção por zoólogos e biólogos, quase nunca foram abordadas pelos médicos dos animais, os veterinários.
Esta ausência é provável que tenha sido ocasionada, em grande medida, pela formação universitária de graduação em ciências veterinárias, que valorizam muito mais os aspectos zootécnicos, cirúrgicos, diagnósticos e clínicos do que reflexões filosóficas ou éticas de nosso trabalho. É também provável que seja devido à percepção que temos do animal, máxima quando o objetivo fundamental da profissão é a saúde humana, a sanidade animal e produtividade agropecuárias, em que os animais são considerados "objetos" (seres que se movem).



Sua dimensão de "seres sensíveis" só há poucos anos se vem levando em conta no âmbito profissional. Esta dimensão, seu estudo e sua aplicação se têm dado através da etologia veterinária e do bem estar animal (animal welfare).
É possível que para muitos esta discussão não tenha objetivos, e para eles as argumentações dadas pelos protecionistas ou defensores dos animais careçam de bases sólidas a nível filosófico e moral. E acontece que foi somente após que filósofos conhecidos abordaram a problemática dos animais e a forma com que o tratamos, que se criaram espaços de discussão e análise sobre nossas suposições, de nossas atitudes e do que fazemos frente a outras formas de vida com que compartilhamos a existência neste planeta.
"... cada vez que me tivesse mostrado suficientemente humilde e disposto a permitir que um ser que não era humano me instruísse, este amigo, quer tivesse quatro patas, seis ou nenhuma, compartilhou comigo uma sabedoria que não tem preço. Todos eles me ensinaram que a perfeita compreensão entre o ser humano e outras formas de vida é possível no momento em que o ser humano cumpre realmente o papel que lhe corresponde." (4)
Propomos uma reflexão que tenha em conta as condições que fazem possível a vida, reconhecendo a biodiversidade não só em termos ecológicos e ambientais, mas pela trama dos elementos que a constituem e que fazem possível ver a vida como uma totalidade. Esta rede ou trama em que todos os elementos se encontram entrelaçados em uma dinâmica estrutural de relações, rede que nos permite o substrato sobre o qual podemos construir nosso aporte a reflexão. Reflexão esta que não estará orientada a "humanizar o animal, nem a animalizar o humano", mas sim a propor uma relação harmônica, coerente e madura com as demais espécies.


1. A Relação Homem Animal.

(O que segue agora é uma adaptação de MACROBIOÉTICA - Colección Pedagogía y Bioética. Nº 7; Universidad a distancia. Programa de Bioética; Facultad de Educación; Universidad El Bosque. Bogotá, 1999.)

"A grandeza de uma nação e seu progresso moral se pode julgar de acordo com a maneira com que se trata seus animais"
Mohandas Gandhi

As diversas relações que mantemos com os animais, sejam estes silvestres, domésticos, de companhia, de laboratório, de consumo, de rua, etc. tem permitido uma aproximação com enfoques diferentes: acadêmico, filosófico, ético, jurídico, emocional, romântico, artístico, compassivo, fundamentalista, de saúde, clínico, etológico e comparado, entre outros.
E todo este enfoque tem gerado, por sua vez, posições ideológicas muito definidas, como a protecionista, abolicionista, utilitarista ou indiferente. Discutindo habitualmente temas como a experimentação e vivissecção, o tráfico da fauna silvestre, a posse responsável de mascotes, as populações animais de rua e seu controle, os animais como alimento, os métodos de produção intensiva, as coleções de animais (zoológicos) e os centros de controle de zoonoses. Esta relação que a espécie humana tem estabelecido com outras espécies animais se encontra marcada por momentos históricos e culturais, assim como por fatores ambientais, políticos, econômicos, científicos e sociais. Tornando –se mais estreita e complexa quando como espécie começamos a domesticá-los e a colecioná-los, criando interações que em principio ocorrem em detrimento das necessidades básicas das espécies mantidas em cativeiro ou de domesticidade.
"Atualmente rodeiam o homem uma série de animais domésticos de grande valor econômico ou afetivo, considerados como algo natural, se esquecendo que todos eles não existiam há quinze mil anos e que a maioria não apareceram senão há uns dez mil anos (domesticação). A transição de uma economia de caça a outra na qual se produzem alimentos, ou seja, aonde se têm plantas e animais domesticados, constituí sem dúvida alguma o hábito mais revolucionário e de conseqüências econômicas e sociais mais importantes para o desenvolvimento da humanidade." (6)
No caso das espécies chamadas domesticas ou domesticáveis, se gerou um "contrato de uso". Habitualmente a nível técnico o denominamos exploração pecuária. Este conceito de contrato, referido por D. Morris (1990) como o "contrato animal", pleiteia que existe entre nós e os animais um compromisso, que nos converte em sócios para compartilhar o planeta. A base deste contrato consiste em que cada espécie deve limitar o crescimento de sua população de modo tal que permita a convivência de outras formas de vida. (29)
Sem dúvida no manejo dos animais de produção ou de consumo, os sistemas de "exploração intensiva" descritos por P. Singer (1975) como "a granja-fábrica (la granja-factoría)", são justificados exclusivamente com base no custo-benefício do sistema e como uma opção alimentar para a população humana que necessita
de fontes de proteína animal. Sem contemplar outras implicações diferentes das técnicas, econômicas e de produção.
Por ultimo, não se trata de alegar com estes assuntos que a única opção seja então o vegetarianismo ou veganismo, mas sim de revisar os fundamentos e esquemas conceituais (éticos e morais) que sustentam os sistemas de manejo e utilização dos animais domésticos ou de consumo. Trata-se de olhar se como espécie e cultura, vemos nos animais objetos úteis ou seres sensíveis. E ao perguntarmos desta forma, geram-se de imediato vários dilemas éticos, expressados como:

O Sofrimento Animal.



"Veneramos, mimamos e admiramos alguns animais, enquanto a outros torturamos e destruímos. Talvez uma das razões por que os seres humanos abusam dos animais seja porque não podemos sentir o que eles são, o que é ser um animal." (21)
Através da neurobiologia e da fisiologia animal, temos podido entender os mecanismos que estão por trás da "dor animal", dor esta que varia em sua percepção e expressão de espécie para espécie. Porém ela é, sem dúvida alguma, uma realidade biológica.
Quanto ao sofrimento, constitui um conceito de grande peso, porém de difícil quantificação (medição) em um animal. Ainda que o animal possa comunicar-se (vocalizações, atitudes posturais e faciais, sinais químicos) se pede algo mais objetivo, uma experiência do tipo emocional.
Isto nos oferece um desafio que se tem tentado elucidar a vários séculos: J. Bentham (1748 - 1832) escrevia: "A pergunta não é, quando me interessar pelo bem estar de alguém, se ele ‘pensa ?’ ‘possui capacidade de raciocínio ?’ mas sim ‘sente ?’ ‘tem capacidade de gozar e sentir ?’" (17) . Frente a este dilema prático surge a proposta ética de "Bem Estar Animal", em que os profissionais das ciências veterinárias, em conjunto com governos e ONG's, tem concordado desde a década de sessenta, de implantação de protocolos de medição e controle para obter o dito bem estar nas áreas de produção e manutenção de animais.
Os conhecidos como "as cinco liberdades" (entendidas como necessidades, são alimentação, refúgio, saúde, comportamento e bem estar), o manejo ecológico (entendido como a melhor maneira de aproximar-se, sujeitar e imobilizar um animal) e o enriquecimento ambiental (naquelas espécies que vão ser confinadas, permitir mediante o desenho arquitetónico das instalações, o equipamento e o manejo, que suas necessidades biológicas, teológicas e psicológicas possam ser satisfeitas).

O Conflito de Interesses.
..."O princípio de igual consideração de interesses não permite que os interesses principais sejam sacrificados em prol dos interesses secundários..." (17)
Da mesma maneira que na discussão anterior, estas discussões têm sido abordadas há vários séculos. Assim como o filósofo e economista inglês, John Stuart Mill (1806 - 1873) já propunha:
"Supondo que algum feito cause mais dor aos animais que prazer ao homem, esta prática é moral ou imoral ? E se o homem não contesta imoral com uma só voz, ao mesmo tempo em que sua cabeça emerge de todo egoísmo que a moralidade do princípio de utilidade se condene para sempre." (22)
Este conflito de interesses é a base, o contingente maior, que enfrenta o profissional de ciências veterinárias, quando deve antepor os custos e honorários ao sofrimento dos animais, e proprietários. Tendo, além disso, que tomar a decisão e executar o sacrifício humanitário de seus pacientes (eutanásia), freqüentemente vista como a melhor opção para evitar o sofrimento. Na ética ambiental (macroética) é mais evidente este conflito, onde se pergunta: Constitui a extinção de uma espécie um preço aceitável a pagar pelo aumento das oportunidades de emprego ? Nos propõem uma reflexão filosófica, se devemos incluir em nossas deliberações éticas todas espécies animais, organismos unicelulares, ecossistemas e incluir o conjunto da biosfera.(41)
O claro é que, como propõe R. Elliot (1993): ... "Uma ética centrada na vida exige que na hora de decidir como temos de atuar, tenhamos em conta o impacto de nossas ações sobre todo ser vivo afetado por elas. " (41)



Igualdade e Especificidade ?

"... não há razão para crer que algum animal seja capaz de pensar acerca de seus próprios pensamentos desta maneira, nenhum de seus estados mentais será consciente. Se se aceita esta argumentação, se deduzirá quase imediatamente que os animais não podem nos propor imperativos morais, pois os estados mentais não conscientes não são um objeto adequado de interesse moral. " (21)
Ao assumir que a proposta não busca humanizar o animal e nem animalizar o
humano, se estabelece desde já que nosso objetivo não é discutir acerca do que é similar e do que é distinto entre o homem e os animais. Senão discutir se os argumentos que utilizamos para interagir com eles seguem sendo válidos, a luz dos novos descobrimentos que contribuem a ciência e a tecnologia. Ou se o pensamento filosófico atual deseja adotar novos ou diferentes argumentos acerca dos animais, sobre seu status moral, seus direitos e nossas responsabilidades.
Neste sentido, nossa cultura tem discriminado sua relação de afeto ou utilidade com os animais mais orientado pela moda e por emoções que por aspectos morais e éticos. Da mesma maneira, é evidente ao observar esta relação, que a complexidade das espécies (especificismo), sua aparência – fenótipo, marcam em grande medida a empatia (compaixão) ou antipatia dos seres humanos sobre estas.
Finalmente e sem resposta clara, a pergunta sobre o direito dos animais nos convida a revisar o contexto normativo, jurídico e legal que marca a relação dos animais em cada país e em cada cultura. Estudar a percepção de que os animais têm cada um sua comunidade (etnoveterinária) e contribuir quando seja oportuno e com uma visão bioética para a sugestão de que promova o "respeito por qualquer forma de vida".


2. Direitos dos animais e responsabilidades humanas ?
" O contratualismo não concede aos animais direitos morais diretos, enquanto o outorga a todos seres humanos. (...) porém as limitações que impõe a nossa conduta são mínimas, e é evidente que o contratualismo não presta nenhum apoio a aqueles que desejariam ampliar ainda mais a proteção que se brinda aos animais. " (6)
O enfoque relativista e subjetivo do valor moral dos animais nos apresenta grande dificuldade no momento de realizar comparações e perguntarmos quem pode fazer parte da comunidade moral humana.
Ou ao perguntarmos : Que faz com que um ser vivo seja considerado uma pessoa ? Como é ser um animal ? Experimentam os animais não-humanos algum pensamento ou algum sentimento subjetivo ?
P. Carruthers (1992) em sua "Teoria moral aplicada" contribui com os seguintes elementos de reflexão:

" Se pode dizer que muitos animais têm crenças e desejos. Não obstante, nenhum animal possui as demais qualidades necessárias para ser considerado um agente racional. Concretamente, nenhum animal parece ser capaz de fazer planos a longo prazo, ou de imaginar futuros distintos possíveis. E nenhum animal parece capaz de conceituar normas gerais convencionadas socialmente. Assim, pois, nenhum animal pode ser considerado agente racional, no sentido que nos permitiria outorgar-lhes direitos diretos segundo o contratualismo".
E T. Regan, em seu livro "The case for animal rigths" diz que : " só tem direitos os seres com um valor inerente (...) Só os titulares de uma vida tem um valor inerente..."
Não obstante um número importante de filósofos afirmam que os animais não são agentes morais e que embora seja censurável a crueldade a eles, não seria possível aceitar dar a mesma importância à vida e ao sofrimento dos animais que aos humanos.
Finalmente M. Sánchez (1996) nos oferece uma proposta conciliadora:
"... O respeito aos animais não é incompatível com o respeito aos humanos. Ambos respeitos são parte de um único e mais amplo sentimento de respeito de todos a todos... " (17)
Quanto às responsabilidades aos animais, pode-se enforcar duas dimensões, uma moral e outra prática.
"... Não obstante, pode haver obrigações indiretas para com os animais, motivadas pelo respeito aos interesses legítimos de quem se interessa por eles. "(6)
No sentido moral, é interessante observar como as diferentes tradições religiosas têm proposto diversas relações com o mundo animal. Desde a chamada Maioria Responsável, onde o homem é o rei da criação e o encarregado das demais espécies para seu uso e cuidado, passando pela Irmandade Franciscana de unidade com todos os seres, até a proibição específica e detalhada do consumo de certos animais.



3. O Rol do Veterinário
"É essencial que exista uma distinção clara entre homens e animais, para poder dobrá-los a nossa vontade, conseguir que trabalhem para nós, leva-los, comê-los, sem nenhum sentimento inquietante de culpa ou pena.
Com nossas consciências tranqüilas, podemos extinguir espécies inteiras em nome de um benefício imaginado a curto prazo ou incluso por simples descuido. Sua perda tem pouca importância: estes seres, podemos dizer, não são como nós."(36)
Existe em muitas profissões um código deontológico e um juramento que o profissional recebe e assume no momento de graduar-se. De forma similar possuí uma missão definida a cumprir. No caso dos médicos veterinários colombianos existe um marco de referência recente que tem possibilitado abrir caminho a um desenvolvimento ético da profissão: a lei 576 de 2000 pela qual se resolve o código de Ética para o exercício profissional da medicina veterinária e da zootecnia.
Seria ingênuo pensar que pelo feito da existência da lei ou do marco jurídico do exercício, se poderia garantir o desempenho das pessoas que representam a profissão. Não obstante oferece a possibilidade de criar um âmbito de discussão e aprendizagem coletivo, sobre nossos mínimos éticos de referência. Da mesma maneira, a criação e existência da TRINADEP (Tribunal Nacional de Ética Profissional) que simboliza o órgão de controle sancionador aos infratores destes mínimos éticos. O ideal para mim seria a inclusão de alguns máximos éticos no cotidiano de todos aqueles profissionais relacionados com a área e de todas as pessoas relacionadas com os animais. Que neles existisse a vontade e o interesse de fazer reflexões em torno de uma mesma visão e missão, em torno da cultura do animal que existe em nosso país.
"A medicina veterinária é uma profissão baseada em uma formação científica, técnica e humanística, que tem como fim proporcionar o melhoramento da qualidade de vida do homem, mediante a conservação da saúde animal, o incremento das fontes de alimento de origem animal, a proteção da saúde pública, a conservação do meio ambiente, da biodiversidade, e do desenvolvimento pecuário do país. "

NÃO COMPRE, ADOTE!



Postado por : Natália Mayrinck

A VELHICE DE CÃES E GATOS

Quando o organismo reduz progressivamente suas habilidades, afetando gradativamente diversos órgãos e sistemas orgânicos, é sinal de que os nossos amigos estão envelhecendo. E quando isso acontece? Existem diferenças individuais, familiares e raciais no processo de envelhecimento, mas geralmente podemos considerá-los pacientes geriátricos quando:
1- raças pequenas, com menos de 10 kg, atingem de 9 a 13 anos de idade
2- raças médias, que apresentam de 10 a 15 kg, atingem de 9 a 11 anos de idade
3- raças grandes, que apresentam de 25 a 45 kg, atingem de 7,5 a 10,5 anos de idade
4- raças gigantes, que apresentam mais de 45 kg, atingem de 8 a 10 anos de idade

Gatos vivem em média 12 anos e podemos considerá-los idosos à partir de 7-8 anos de idade.



No geral, além do pequeno porte, os mascotes que não saem a rua, que são castrados e de raças mestiças, têm maior longevidade ( vivem mais tempo). Apenas 13% dos cães de raças grandes atingem 10 anos de idade, ao passo que 37% dos de raças pequenas chegam a esta idade. Já os animais de raças gigantes, tem uma expectativa de vida de apenas 6,5 anos em média.


Postado por : Natália Mayrinck

DOA-SE CÃO

O SOFÁ VAI DE BRINDE!