sábado, 19 de fevereiro de 2011

Ser Médico Veterinário...


Pensando bem...
... ser médico veterinário não é só cuidar de animais.
É, sobretudo amá-los, não ficando somente nos padrões éticos de uma ciência médica.
Ser médico veterinário é acreditar na imortalidade da natureza e querer preservá-la sempre mais bela.
Ser médico veterinário não é só ouvir miados, mugidos, balidos, relinchos e latidos, mas principalmente entendê-los e amenizá-los.
É gostar de terra molhada, de mato fechado, de luas e chuvas.
Ser médico veterinário é não importar se os animais pensam, mas sim que sofrem.
É dedicar parte do seu ser à arte de salvar vidas.
Ser médico veterinário é aproximar-se de instintos. É perder medos.
É ganhar amigos de pêlos e penas, que jamais irão decepcioná-lo.
Ser medico veterinário é ter ódio de gaiolas, jaulas e correntes.
É perder um tempo enorme apreciando rebanhos e vôos de gaivotas.
É permanecer descobrindo, através de animais, a si mesmo.
Ser médico veterinário é ser o único capaz de entender rabos abanando, arranhões carinhosos e mordidas de afeto.
É sentir cheiro de pêlo molhado, cheiro de almofada com essência de gato, cheiro de baias, de curral, de esterco.
Ser médico veterinário é ter coragem de entrar num mundo diferente e ser igual.
É ter capacidade de compreender gratidões mudas, mas sem dúvida alguma, as únicas verdadeiras.
É aliviar olhares, é lembrar de seu tempo de criança e querer levar para casa todos os cães vadios e sem dono.
Ser médico veterinário é conviver lado a lado com ensinamentos profundos de amor e vida.
"Todos nós podemos nos formar em veterinária, mas nem todos serão veterinários."
E você...
...o que é?                                                                            

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pastor Maremano Abruzês


País de origem: Itália
Tamanho: grande
Área de criação: grande
Agressividade: média
Atividade física: moderada

Utilização: guarda de rebanho e propriedade.
Tamanho: 65 a 73 cm para machos e 60 a 68 cm para fêmeas.
Peso: 35 a 45 quilos para machos e 30 a 40 quilos para fêmeas.
Aspectos gerais: é um cão de grande porte, fortemente construído, de aspecto rústico e, ao mesmo tempo, majestoso e distinto. A conformação geral é de um cão pesado, cujo tronco é mais longo que a altura na cernelha; harmonioso em relação ao formato e aos perfis. A cauda é portada pendente em repouso; quando em movimento, é portada na linha do dorso com a ponta bastante recurvada. É bem guarnecida de pelos abundantes, sem franja.
Pelagem: apresenta pelagem muito abundante. O pelo é longo, mais para áspero ao tato, bem assentado. Tolerada leve ondulação. Forma uma rica juba em torno do pescoço e franjas de comprimento limitado na face posterior dos membros. O comprimento do pelo no tronco atinge 8 cm. O subpelo é abundante somente durante o inverno. A cor é branca unicolor. São toleradas nuanças marfim, laranja pálido ou limão, embora em números limitados.
Longevidade: 10 a 12 anos.
Temperamento: sua função principal de cão de guarda e defesa do rebanho e das propriedaades, em geral, se evidencia no modo de cumpre esta tarefa, com perspicácia, coragem e decisão. O seu caráter, ainda que orgulhoso e alheio à submissão, sabe exprimir uma ligação devotada ao seu dono e a tudo que o cerca.

Este cão italiano teve origem a partir do cruzamento de primitivos cães pastores que existiam na região da Toscana e do Lazio com cães até hoje utilizados para pastorear ovelhas nos Abruzes. O uso de cães no pastoreio sempre foi um hábito típico dos pastores que vagavam por planíces e montanhas.
Durante os meses de inverno, o rebanho pastava nas áreas ao longo da costa, especialmente em Maremma. Com a chegada do verão, o calor secava as pastagens e os pastores de ovelhas subiam às montanhas dos Abruzzes com os seus grandes cães brancos. Assim, esses cães passaram a ser conhecidos ora como Abruzzesse, ora como Maremanos.

DÓCIL COM CRIANÇAS Rústico, resistente e de porte majestoso, o Pastor Maremmano Abruzzesse se mostra corajoso, calmo e inteligente no trabalho. Mantido na propriedade como cão de guarda, é atento, distante com estranhos, mas sempre carinhoso com a família, demonstrando um cuidado especial com crianças. No Brasil, ainda são poucos os criadores da raça.


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

REPRODUÇÃO NOS MACHOS

A INTRODUÇÃO
O sistema genital masculino está na maioria das vezes constituído pelo pênis, bolsa escrotal, testículos, túbulos retos, túbulos eferentes, epidídimos, vasos deferentes, glândulas acessórias incluindo ampolas, próstata, glândulas vesiculares e bulbouretrais.
Fig. 1: Sistema genital masculino (geral). Adaptado de http://www.puc.cl/sw_educ/prodanim/caracter/fi.htm

 
 
1 – CONCEITO
É uma gônada dupla, de forma ovóide, de localização extra-abdominal nos mamíferos e Na maioria dos casos no interior de uma bolsa cutânea  na região inguinal, e caracterizado por uma função celular e outra endócrina.
· Nas aves e algumas espécies como os elefantes, tatus, baleias e golfinhos os testículos têm localização intracavitária
· Nos suínos, gatos e alguns cães a localização dos testículos é perineal
2 – Aspectos anatômicos
 
Fig. 2: Anatomia do testículo. Adaptado de http://www.becomehealthynow.com/popups/male_testes.htm
Fig. 3: Visão esquemática do testículo e estruturas adjacentes. Adaptado de http://www.vetmed.lsu.edu/eiltslotus/theriogenology-5361/male%20reprod_2.htm
Bolsa escrotal
Os testículos estão envolvidos externamente por uma bolsa cutânea dividida em dois compartimentos chamada de bolsa escrotal formado pela túnica dartus  constituída por músculos lisos que auxiliam na termoregulação testicular.
Túnica vaginal
Parte do revestimento peritonial que desceu junto com o testículo durante sua migração para a bolsa escrotal
Albugínea
Tecido conjuntivo espesso e resistente que envolve a massa testicular e envia septos para o seu interior dividindo o testículo em compartimentos ou lojas.
Túbulos seminíferos
· Apresenta-se na forma de um pequeno tubo, com luz interna contendo os espermatozóides.
· Formado por uma lâmina basal e sobre esta as células de Sertoli e as células da linhagem germinativa (Espermatogônias, espermatócitos I e II, espermátides e espermatozóides).
· As células de Leydig estão situadas fora do túbulo seminífero, ou seja, no espaço intersticial, por esta razão são chamadas de células intersticiais do testículo.
Epidídimos
· Estão intimamente apostos sobre a superfície testicular e pode ser dividido em 3 partes: cabeça, corpo e cauda.
· Forma-se no seu interior um ducto muito longo e espiralado chamado de ducto epididimário
· É o local em que ocorre o transporte,  maturação e o armazenamento dos espermatozóides
3 – Aspectos FUNCIONAIS
FUNÇÃO CELULAR
•  Produção de espermatozóides (túbulos seminíferos)
Fig. 4: Visão microscópica dos túbulos seminíferos, local de produção de espermatozóides. Adaptado de http://www.vetmed.lsu.edu/eiltslotus/theriogenology-5361/male%20reprod_2.htm
 
Fig. 5: Maturação de espermatogônias em espermatozóides na parede dos túbulos seminíferos. Adaptado de http://www.vetmed.lsu.edu/eiltslotus/theriogenology-5361/male%20reprod_2.htm
 
•  FUNÇÃO ENDÓCRINA 
· Produção de AMH na vida fetal
· Produção de Inibina importante para a autoregulação (feed-back)
· Produção de testosterona (células de Leydig) importante para:
Imprint hipotalâmico do hipotálamo dosfetos do sexo masculino pra funcinamento no padrão tônico
Desenvolvimento e manutenção da secreção das glândulas sexuais acessórias
Responsável pela parte da espermatogênese conhecida como espermiogênese
Produção das feromonas para atração sexual e marcação do ambiente
Garantir as Características sexuais secundárias masculinas ( maior constituição dos músculos e articulações, agressividade, e sinais externos tais como: giba dos zebus, barba nos bodes, crista, esporão e plumagem atraente nos galos e presas dos javalis.
Fig. 6: Interação entre hormônios hipotalâmicos, hipofisários e testiculares. Adaptado de http://www.vetmed.lsu.edu/eiltslotus/theriogenology-5361/male%20reprod_2.htm

É necessário que a temperatura do testículo esteja entre 4 e 7 graus abaixo da temperatura orgânica para que a espermatogênese ocorra.
A termorregulação testicular é garantida através de:
· Mecanismo de contracorrente no plexo pampiniforme do cordão espermático. Ocorre troca de calor por contra-corrente entre o sangue venoso resfriado que sobe e o arterial na temperatura corporal que desce.
· Ação da contração da túnica dartus  que promove o enrugamento e espessamento da bolsa
· Ação dos  músculos cremaster externos que aproximam (quando contraem nas baixas temperaturas) ou afastam (quando relaxam nas altas) os testículos da parede abdominal.
· Localização em bolsa cutânea pendulosa.
· Ausência de gordura subcutânea
· Presença de glândulas sudoríparas
Fig. 7: Fatores que atuam na termorregulação da bolsa escrotal. Adaptado de http://www.malecontraceptives.org/methods/heat_biology.php
OBS.:
IMPOTÊNCIA COEUNDI => Incapacidade total ou reduzida de COPULAR
IMPOTÊNCIA GENERANDI => Incapacidade total ou reduzida de FERTILIZAR

 
Animais do sexo masculino apresentam como glândulas sexuais acessórias as ampolas, a próstata, as glândulas vesiculares e as bulbouretrais, que são responsáveis pelo volume do sêmen e  por dar um ambiente bioquímico apropriado para a sobrevivência dos espermatozóides.
· Os gatos não apresentam glândulas vesiculares
· Os cães não apresentam glândulas vesiculares nem bulbouretral

E - Pênis
  • Touro, carneiro e varrão apresentam pênis fibroelástico e dispõem de uma flexura sigmóide que fica esticada durante a ereção e extensão do pênis
Fig. 8: Sistema genital masculino de touro (esquerda) e porco. Adaptado de http://www.vetmed.lsu.edu/eiltslotus/theriogenology-5361/male%20reprod_2.htm
 
  • Carneiro apresenta um apêndice filiforme que contém a uretra
  • Garanhão tem pênis vascular e sua uretra faz protrusão de alguns centímetros desde a superfície da glande
Fig. 9: Sistema genital masculino de cavalo. Adaptado de http://www.vetmed.lsu.edu/eiltslotus/theriogenology5361/male%20reprod_2.htm
 
  • Cão e gatos apresentam um osso peniano
  • Gato apresenta espículas penianas e orientação posterior
 
Fig. 10: Sistema genital masculino de gato (esquerda) e cão. Adaptado de http://www.vetmed.lsu.edu/eiltslotus/theriogenology-5361/male%20reprod_2.htm

 
O Bombeamento do sangue para dentro dos corpos cavernosos do pênis através das contrações do músculo ísqueo-cavernoso geradas pelo sistema nervoso parassimpático sob estímulos visuais, olfativos e locais do pênis.
· Bombeamento de sangue pelo músculo isqueocavernoso pra dentro dos canais vasculares do interior do corpo cavernoso e esponjoso associado com o aumento do tônus muscular que oclui o retorno venoso ao pressionar a veia dorsal do pênis contra o arco isquiático.
Fig. 11: Estruturas penianas. Adaptado de http://www.vigmax.com/_en/_Howitworks.asp
·  A ereção do pênis está sob controle do sistema nervoso vegetativo e é obtida pela sinergia de dois mecanismos. O primeiro é durante a excitação sexual, o corpo cavernoso e o corpo esponjoso do pênis tornam-se ingurgitados devido à dilatação arteriolar, simultaneamente as vênulas contraem-se, aprisionando o sangue no pênis. No segundo mecanismo, os músculos ísquiocavernosos e o bulbo esponjoso aumentam seu tônus e dificultam o retorno venoso por pressionar a veia dorsal do pênis contra o arco isquiático.
· A pressão no interior do corpo cavernoso pode atingir 15.000 mmHg.
· Durante a ereção o músculo retrator do pênis dos ruminantes relaxa e permite a extensão da flexura sigmóide.


ð É a expulsão do sêmen garantida pelas contrações peristálticas da musculatura lisa do epidídimo, ducto deferente e uretra associada com a contração sincrônica das glândulas sexuais acessórias que misturam os espermatozóides e os líquidos dessas glândulas na uretra pélvica.  Ocorre por estimulação Simpática a partir de estímulos locais  no pênis em ereção ou manipulação das glândulas acessórias
· Compreende a EMISSÃO e a EJACULAÇÃO PROPRIAMENTE DITA
· EMISSÃO = iniciada pela estimulação dos nervos sensitivos localizados na glande do pênis, que desencadeia contrações peristálticas da musculatura lisa do epidídimo e vaso deferente associada com contração sincrônica das glândulas sexuais acessórias que misturam os espermatozóides e líquidos na uretra pélvica, por ação do sistema nervoso Simpático.
· EJACULAÇÃO PROPRIAMENTE DITA = É a ejeção do sêmen determinada pelas contrações dos músculos isqueocarvenoso, bulboesponjoso e uretrais por ação reflexa sacral pelo Sistema Nervoso Parassimpático.
Fig. 12: Visão dorsal de uma secção da pelve equina. Adaptado de http://www.vetmed.lsu.edu/eiltslotus/theriogenology-5361/bull.htm
 
A ejaculação, que pode ser definida como a ejeção do sêmen via ductos excretores, é iniciada através da estimulação dos nervos sensitivos localizados na glande do pênis. Essa estimulação, desencadeia uma série de contrações peristálticas das paredes musculares dos epidídimos, canal deferente e uretra. Essas contrações deslocam os espermatozóides desde os epidídimos e canal deferente e os líquidos desde as glândulas acessórias, através dos ductos que conduzem ao orifício uretral externo.

H - Sêmen
Constituído por uma parte líquida originada principalmente das secreções das glândulas sexuais acessórias e pelos espermatozóides.
Volume do ejaculado (em mL), tempo de ejaculação e local de deposição do sêmen nas várias espécies domésticas
ESPÉCIE
VOLUME (mL)
Tempo de Ejaculação
Local de deposição
Touro
2,0 a 10
1seg
Vagina
Carneiro
0,7 a 2,0
1seg
Vagina
Varrão
150 a 500
10 a 20 min
Útero
Garanhão
20 a 250
10 a 15 seg
Útero
Cão
2,0 a 16
30 a 40 min
Vagina
Gato
0,01 a 0,2
1seg
Vagina


O pênis  é constituído essencialmente por três corpos  de tecido erétil (cavernosos). Dois deles, estão dispostos lado a lado na porção dorsal  do órgão, tal disposição torna  a superfície dorsal do pênis algo plana. O terceiro longo corpo de tecido erétil é denominado corpo cavernoso uretral, pois acompanha a uretra de uma extremidade a outra. Ele é também chamado de corpo esponjoso. Este corpo cavernoso situa-se medial e ventralmente em relação ao par de corpos cavernosos e torna-se dilatado distalmente , adquirindo o aspecto de cone na glande.
Cada corpo cavernoso é circundado por uma forte cobertura  de tecido conjuntivo denominado túnica albugínea . Nos corpos cavernosos esta cobertura consiste principalmente em fibras colágenas dispostas numa  camada  interna  circular e em outra longitudinal externa, contendo também fibras elásticas. As túnicas que cobrem o par de corpos cavernosos juntam-se uma à outra ao longo da linha média do pênis e , fundindo-se, formam o septo mediano , que é mais espesso e mais completo próximo à  raiz do pênis. A cobertura que envolve o corpo cavernoso uretral é mais elástica que as demais. Na glande a túnica albugínea  verdadeira é deficiente, nela a derme  da pele que cobre a glande serve como uma túnica albugínea, sendo na sua intimidade contínua com o tecido cavernoso.
Os três corpos cavernosos são mantidos unidos pelo tecido conjuntivo frouxo elástico (exceto onde o par de corpos cavernosos se funde), que é chamado de  fáscia  do pênis.   Isso também proporciona uma união flexível com a pele que cobre o pênis. A epiderme da pele do pênis é delgada. Não existe pêlos, exceto próximo à raiz do órgão.Uma prega circular da pele estende-se para frente , cobrindo a glande, é denominada de prepúcio. Ela é geralmente  elástica  o suficiente  para permitir sua retração. Entretanto, em alguns casos denominados de fimose não ocorre a retração  do prepúcio, que pode aderir fortemente à glande . Há presença de glândulas  sebáceas modificadas na superfície  interna da prega prepucial , a secreção  dessa glândulas, num prepúcio que não pode  ser repuxado, pode-se acumular e tornar-se um irritante. A operação comum pela qual o prepúcio é removido chama-se circuncisão.
Os corpos cavernosos são constituídos por uma rede tridimensional de trabéculas de tecido conjuntivo e músculo liso cobertas por endotélio. Entre  as trabéculas existem espaços que  tendem  a ser maiores  nas porções  mais centrais dos corpos cavernosos e menores na periferia. O interior da glande se compõe de um novelo de grandes veias em maior quantidade do que espaços separados por trabéculas.
SUPRIMENTO SANGUÍNEO E MECANISMO DE EREÇÃO
A irrigação arterial é de dois tipos . Os ramos da artéria dorsal terminam  nos leitos capilares que irrigam os tecidos do órgão, inclusive aqueles  dos corpos cavernosos. Através dos capilares das trabéculas o sangue banha os espaços. Os espaços comunicam-se de tal maneira  que o sangue neles  lançado pode chegar às porções  mais periféricas dos corpos, onde os espaços abrem-se em plexos de veias dispostas próximas  da periferia  de cada corpo cilíndrico. O sangue que causa a ereção provém principalmente de um outro  e maior conjunto de artérias  que penetram no interior dos corpos, onde se ramificam, através das trabéculas os ramos  arteriais são conduzidos aos espaços. Essas artérias possuem paredes musculares espessas e, além disso, muitas possuem espessamentos internos  de fibras musculares longitudinais que fazem  saliências para o interior da luz. Muitas dessas artérias se dispõem ao longo de trabéculas acham-se enoveladas e espiraladas quando o pênis está flácido, isto justifica sua denominação de artérias helicinadas. Vários ramos terminais dessas artérias desembocam diretamente dentro dos espaços do tecido cavernoso.
A musculatura lisa das artérias e o músculo liso das trabéculas são inervados tanto por fibras simpáticas e parassimpáticas. Sob condições  de estímulos  eróticos  a musculatura lisa das trabéculas e das artérias espirais relaxa-se. As artérias tendem a se distender, resultando num fluxo sanguíneo livre para o interior dos espaços. Como o sangue preenche  os espaços dilatando-os, os plexos venosos das porções periféricas dos corpos tornam-se comprimidos. Havendo um maior aporte sanguíneo para os espaços dos corpos cavernosos e impedimento da drenagem venosa dos corpos  estes  tornam-se tão túrgidos como os  demais, pois sua cobertura é mais elástica.
O retorno do pênis ao estado de flacidez , após a ereção, é chamado de tumescência. Isto ocorre  através da constrição das artérias helicinadas e pela contração da musculatura lisa trabecular, forçando o sangue a sair lentamente do órgão.
O pênis possui, em abundância , uma grande variedade de terminações nervosas sensitivas.
O PÊNIS DOS CAPRINOS
O pênis  dos caprinos, assim como nas demais espécies,  tem duas funções: depósito de sêmem  no aparelho genital das fêmeas e expulsão da urina . Tanto o sêmen quanto a urina saem através da uretra. A uretra esta circundada por um tecido cavernoso  que este é muito vascularizado e circundado por uma membrana fibrosa mais externa.
O pênis se  põe rígido e aumenta de tamanho com a excitação sexual. Este processo, chama-se de ereção, se efetua de duas maneiras. Com  a excitação sexual os vasos que drenam os pênis se comprimem e os espaços do tecido cavernoso se enchem  de sangue , com isso aumenta de tamanho. Ao relaxar, o sangue  sai do tecido cavernoso, com isso o pênis se torna flácido. Esse possui uma curvatura  em forma de “ S “, chamada flexura  sigmóide que tem  a capacidade de estender-se aproximadamente 30 cm durante a cópula.
Normalmente, o pênis  se mantêm  em  forma de “ S “ mediante ao músculo retrator; Durante a cópula  esse
músculo se relaxa como conseguinte a extensão da flexura. Somente neste momento é quando o pênis se exterioriza do abdome.
A inervação  é constituída por fibras sensoriais particularmente  na glande do pênis. Por trás destas estruturas, nos caprinos encontramos uma estreita extensão até a uretra de uns  3-4 cm de comprimento, chamado apêndice filiforme (ou processo uretral). Este apêndice gira rapidamente durante a ejaculação e projeta o sêmen na parte anterior da vagina das fêmeas.
A extremidade livre do pênis está alojada em uma invaginação da pele, denominada de prepúcio.

O PÊNIS DOS BOVINOS 
O pênis é composto do corpo (cavernosos pares), da uretra com seu corpo cavernoso ímpar e da ponta do pênis, sendo recoberto, todo ele, pela túnica albugínea. Seu comprimento  é de aproximadamente 75 cm de extensão nos touros  jovens  de um ano de idade  e aproximadamente  100 cm no touro adulto de cinco anos.
Quando o pênis  está relaxado , apenas a metade dele  é acessível  à inspeção e a palpação.
Em repouso, o pênis é retraído pelo músculo retrator do pênis (musculatura lisa) e mantido no prepúcio, formando caudalmente o S peniano.
Quando o pênis está retraído , sua extremidade se encontra  exatamente entre o óstio prepucial e a base do escroto. Conforme a idade  do animal, o corpo do pênis tem espessura de dois a três dedos  e apresenta uma consistência rígida, firme  e elástica. Se o pênis tem espessura de um dedo mínimo e sua porção cranial ao escroto, quando recolhido, é do comprimento de um dedo mínimo , suspeita-se de subdesenvolvimento peniano( infantilismo), que requer confirmação por inspeção no momento da cópula. A extremidade cranial  do pênis recoberta pela  folha interna da mucosa do prepúcio, quando  intacta, apresenta boa  mobilidade, em função das  várias  pregas da mucosa prepucial e do alto teor  de tecido conjuntivo frouxo submucoso. Normalmente, é fácil deslocar a porção do pênis em posição caudal ao prepúcio e a curvatura ventral do S peniano.

J - MORFOFISIOLOGIA DO PÊNIS DE CÃES E GATOS
HISTOLOGIA :
O pênis é constituído por três massa cilíndricas de tecido erétil, mais a uretra, envoltas externamente por pele. Delas, duas são colocadas dorsalmente e recebe o nome de Corpos Cavernosos do Pênis. A outra, ventral, chama-se Corpo Cavernoso da Uretra e envolve a uretra peniana em todo o seu trajeto e na sua porção terminal, dilata-se formando a glande.
Os três corpos cavernosos encontram-se envoltos por uma resistente membrana de tecido conjuntivo denso, a Túnica Albugínea do Pênis. Essa membrana forma um septo que penetra entre os dois corpos cavernosos do mesmo.
Os corpos cavernosos do pênis e da uretra são formados por um emaranhado de vasos sanguíneos dilatados, revestidos por endotélio.
O prepúcio é uma prega retrátil da pele do pênis, contendo tecido conjuntivo, músculo liso no seu interior. Observam-se, na sua dobra interna e na pele que recobre a glande, pequenas glândulas sebáceas.
ANATOMIA :
O pênis, composto por raiz, corpo e glande, apresenta diversas características. Em sua parte caudal, estão os dois corpos cavernosos, que são separados pelo septo mediano. Em sua parte cranial, há o osso do pênis. Ventralmente, apresenta o sulco para a uretra, dorsalmente  é convexo e cranialmente torna-se menor e possui um prolongamento fibroso e curvo. No animal jovem , possui um prolongamento composto de cartilagem hialina, que posteriormente torna-se fibrosa.
A glande estende-se sobre todo o comprimento do osso peniano e no gato contém diversos espículos).  A parte longa da glande é cilíndrica e com uma extremidade livre e pontiaguda, e na parte caudal há o bulbo da glande. Ambos são compostos de tecido erétil.
As duas veias dorsais passam caudalmente ao dorso do pênis e se unem ao arco isquiático.
Há um músculo, o ísquio-uretral, que surge nos lados da tuberosidade isquiática, que irá convergir no dorso, próximo ao bulbo da glande. Comprime as veias dorsais e também pode tender a elevar o pênis, auxiliando na cópula.
FISIOLOGIA :
A ereção do pênis é controlada pelo Sistema Nervoso Vegetativo
No cão, a distensão final do pênis não ocorre até que ocorra a penetração total. A presença do osso peniano em cães e gatos, facilita a penetração. No gato, a presença de espículas na glande do pênis é importante para a estimulação vaginal, sendo um mecanismo auxiliar na ovulação.
No cão, a distensão final do pênis não ocorre até que ocorra a penetração total.

BIBLIOGRAFIA:
CHRISTIANSEN, IB J. Reprodução no Cão e no Gato . Editora Manole Ltda. São Paulo, 1988.
DERIVAUX, J. Reprodução dos Animais Domésticos . Editora Acribia. Zaragoza, 1980.
Dirksen , G . ;  Griinder , H.D. e STOBER, M. Exame  Clínico dos Bovinos. Ed. Guanabara Koogan
Evons , G .;  Maxwell W . M . C . e Salamo S. Inseminacion artificial de ovejas y cabras.  Ed. Acribia, S.A
GETTY, R. Anatomia dos Animais Domésticos . 5 ª edição. Editora Guanabara. Rio de Janeiro, 1986.
JUNQUEIRA, L.C.; CARNEIRO, J. Histologia Básica . 4 ª edição. Editora Guanabara Koogan. Rio de Janeiro.
SWENSON, MELVIN J.; REECE, WILLIAM O. Dukes/Fisiologia dos Animais Domésticos . 11 ª edição. Editora Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 1996.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

BENEFÍCIOS DA CASTRAÇÃO EM CÃES E GATOS

 FÊMEAS

PROCEDIMENTO: retirada dos ovários, tubas uterinas e útero

BENEFÍCIOS
  • evita infecção uterina - Piometra, doença que atinge 60% das fêmeas
  • se realizado antes do primeiro cio, diminui em até 95% as chances de tumor de mama
  • evita gravidez indesejada, fugas de casa, e outros incomodos com o cio (como a "miação nervosa" das gatas)
  • evita o abandono de crias inteiras, quando indesejadas
Imagem 1 - Vista de uma cadela após a castração (a recuperação é rápida)

MACHOS

PROCEDIMENTO: retirada dos testículos.

BENEFÍCIOS
  • evita brigas por disputa territorial
  • evita/diminui demarcação com urina em todos os lugares da casa
  • diminui muito o cheiro forte da urina dos gatos
  • previne tumores de próstata, e consequentemente hérnias perineais
  • evita que eles fujam de casa atrás de fêmeas no cio

 Imagem 2 - Testículos retirados após a castração de um cão.

 

BENEFÍCIOS PARA AMBOS

  • aumenta a expectativa de vida e diminui os riscos de doenças
  • evita a "continuidade" de doenças hereditárias, tais como hérnias em geral, luxação de patela, displasia coxo-femural
  • cães que saem à rua: por não cruzarem, evita as chances de adquirir TVT, tumor venéreo transmissível.
Quanto mais precocemente for feita a castração, maior a garantia de todos os benefícios citados.
Para usufruir de todos os benefícios, a cirurgia de castração pode e deve ser feita a partir dos 2 meses e antes dos 5 meses, antes do amadurecimento dos hormônios sexuais e pode ser feita em qualquer idade.
A cirurgia é feita com o animal sedado (anestesia geral).
O pré-operatório exige apenas algumas horas de jejum.
Os cuidados com o pós-operatório são essenciais para o sucesso da cirurgia. Deve-se dar os medicamentos prescritos pelo veterinário, além de seguir suas recomendações.
Quanto mais precoce a cirurgia, mais rapidamente o animal se restabelece.


"PARA CADA PESSOA QUE NASCE, NASCEM 15 CÃES E 45 GATOS."
"A cirurgia de castração previne doenças, evita tumores, garante o bem-estar dos animais, facilita a interação homem-animal e é a única medida eficaz no controle da superpopulação de cães e gatos."

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Raça: São Bernardo


País de Origem: Suíça
Tamanho: Grande
Área de Criação: Grande
Agressividade: Baixa
Atividade Física: Moderada

Pelo Curto
Utilização: guarda, busca, salvamento e companhia.
Tamanho: 65 a 80 cm para fêmeas, e 70 a 90 cm para machos.
Peso: 80 a 90 quilos.
Aspectos Gerais: porte grande, vigoroso, robusto, musculoso, de cabeça poderosa e expressão muito inteligente. A cauda é longa, pesada e curvada na ponta.
Pelagem: lisa, espessa, macia e resistente. Coxas moderadamente revestidas e na raiz da cauda é mais densa e longa, diminuindo em direção à extremidade, sem formar bandeira. A cor é branca e vermelha em várias tonalidades ou com predominância do vermelho sobre o branco..
Longevidade: 11 anos.
Temperamento: extremamente dócil, obediente, inteligente e boa índole.

Pelo longo
Utilização: guarda, busca, salvamento e companhia.
Tamanho: 65 a 80 cm para fêmeas, e 70 a 90 cm para machos.
Peso: 80 a 90 quilos.
Aspectos Gerais: porte grande, vigoroso, robusto, musculoso, de cabeça poderosa e expressão muito inteligente. A cauda é longa, pesada e curvada na ponta.
Pelagem: moderadamente longa, lisa ou levemente ondulada, sendo densa na cauda. Membros anteriores ligeiramente franjados e na coxa é abundante formando culotes. A cor é branca e vermelha em várias tonalidades ou com predominância do vermelho sobre o branco. É desejável o colar totalmente branco e coroa branca na cabeça.
Longevidade: 11 anos.
Temperamento: extremamente dócil, obediente, inteligente e boa índole.

A raça foi desenvolvida a partir de cruzamentos com mastins asiáticos e levada aos Alpes pelos romanos, há mais de 2 mil anos. Lá era muito utilizada em fazendas, como cães de guarda, pastores e de tração. A fama de cão salvador surgiu na Suíça, no século 18. Por volta de 1050, alguns monges fundaram um abrigo destinado a servir de refúgio a viajantes que atravessaram a traiçoeira Passagem de São Bernardo, entre a Suíça e a Itália. Eles começaram a treinar os seus cães para guiar e resgatar vítimas soterradas por avalanches, muito comuns no local na época de inverno. Estima-se que os São Bernardos tenham salvados mais de 2 mil vidas humanas durante os três séculos em que foram usados em resgates no abrigo. Em torno de 1830, a raça passou por novos cruzamentos com o Terranova. Dessa cruza, que não afetou o tipo nem as características do São Bernardo, surgiu a variedade de pelo longo. Os exemplares da raça precisam de muito espaço e muita comida. É um cão conhecido e admirado pela docilidade com crianças e pela lealdade ao dono.

FAMA Talvez o mais famoso cão de resgate que viveu na Passagem de São Bernardo tenha sido Barry, que, em sua existência, salvou 41 pessoas. Hoje pode ser visto empalhado no Museu de História Natural de Berna.

Declaração Universal dos Direitos dos Animais


1 - Todos os animais têm o mesmo direito à vida.
2 - Todos os animais têm direito ao respeito e à proteção do homem.
3 - Nenhum animal deve ser maltratado.
4 - Todos os animais selvagens têm o direito de viver livres no seu habitat.
5 - O animal que o homem escolher para companheiro não deve ser nunca ser abandonado.

6 - Nenhum animal deve ser usado em experiências que lhe causem dor.
7 - Todo ato que põe em risco a vida de um animal é um crime contra a vida.
8 - A poluição e a destruição do meio ambiente são considerados crimescontra os animais.
9 - Os diretos dos animais devem ser defendidos por lei.
10 - O homem deve ser educado desde a infância para observar, respeitar e compreender os animais.

Preâmbulo:
Considerando que todo o animal possui direitos;
Considerando que o desconhecimento e o desprezo desses direitos têm levado e continuam a levar o homem a cometer crimes contra os animais e contra a natureza;
Considerando que o reconhecimento pela espécie humana do direito à existência das outras espécies animais constitui o fundamento da coexistência das outras espécies no mundo;
Considerando que os genocídios são perpetrados pelo homem e há o perigo de continuar a perpetrar outros;
Considerando que o respeito dos homens pelos animais está ligado ao respeito dos homens pelo seu semelhante;
Considerando que a educação deve ensinar desde a infância a observar, a compreender, a respeitar e a amar os animais.

Proclama-se o seguinte
Artigo 1º 
Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.
Artigo 2º 
1.Todo o animal tem o direito a ser respeitado.
2.O homem, como espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los violando esse direito; tem o dever de pôr os seus conhecimentos ao serviço dos animais
3.Todo o animal tem o direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem. 
Artigo 3º 
1.Nenhum animal será submetido nem a maus tratos nem a atos cruéis. 2.Se for necessário matar um animal, ele deve de ser morto instantaneamente, sem dor e de modo a não provocar-lhe angústia. 
Artigo 4º 
1.Todo o animal pertencente a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de se reproduzir.
2.toda a privação de liberdade, mesmo que tenha fins educativos, é contrária a este direito. 
Artigo 5º 
1.Todo o animal pertencente a uma espécie que viva tradicionalmente no meio ambiente do homem tem o direito de viver e de crescer ao ritmo e nas condições de vida e de liberdade que são próprias da sua espécie.
2.Toda a modificação deste ritmo ou destas condições que forem impostas pelo homem com fins mercantis é contrária a este direito. 
Artigo 6º 
1.Todo o animal que o homem escolheu para seu companheiro tem direito a uma duração de vida conforme a sua longevidade natural. 
2.O abandono de um animal é um ato cruel e degradante. 
Artigo 7º 
Todo o animal de trabalho tem direito a uma limitação razoável de duração e de intensidade de trabalho, a uma alimentação reparadora e ao repouso.
Artigo 8º 
1.A experimentação animal que implique sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer que seja a forma de experimentação.
2.As técnicas de substituição devem de ser utilizadas e desenvolvidas. 
Artigo 9º 
Quando o animal é criado para alimentação, ele deve de ser alimentado, alojado, transportado e morto sem que disso resulte para ele nem ansiedade nem dor.
Artigo 10º 
1.Nenhum animal deve de ser explorado para divertimento do homem. 
2.As exibições de animais e os espetáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal. 
Artigo 11º 
Todo o ato que implique a morte de um animal sem necessidade é um biocídio, isto é um crime contra a vida.
Artigo 12º 
1.Todo o ato que implique a morte de grande um número de animais selvagens é um genocídio, isto é, um crime contra a espécie.
2.A poluição e a destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio. 
Artigo 13º 
1.O animal morto deve de ser tratado com respeito.
2.As cenas de violência de que os animais são vítimas devem de ser interditas no cinema e na televisão, salvo se elas tiverem por fim demonstrar um atentado aos direitos do animal. 
Artigo 14º 
1.Os organismos de proteção e de salvaguarda dos animais devem estar representados a nível governamental.
2.Os direitos do animal devem ser defendidos pela lei como os direitos do homem.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Habronemose cutânea (esponja ou feridas de verão)


           A habronemose cutânea é causada por um parasita que acomete equídeos (equinos, asininos e muares), principalmente no verão e na primavera, e tem como agente etiológico o Habronema muscae, Habronema majus e Draschia megastoma. Esta afecção é resultado de uma reação de hipersensibilidade às larvas na pele, como ocorre em alguns tipos de alergias.

Foto 1 - Imagem ampliada do Habronema muscae

A habronemose cutânea pode ocorrer em equídeos de qualquer sexo ou idade, embora, em machos, o pênis e prepúcio sejam locais frequentemente acometidos. Antes de falar sobre os sinais clínicos e tratamento, é importante conhecer o ciclo do parasita para que se possam adotar medidas preventivas.
Os adultos normalmente vivem no estômago dos equinos, a partir de um ciclo indireto, onde todas essas espécies usam moscas como hospedeiros intermediários. As larvas são eliminadas nas fezes e ingeridas por moscas Musca domestica (mosca doméstica) e Stomoxys calcitrans (mosca-do-estábulo), que depositam as larvas na pele. Os cavalos podem adquirir a infecção gástrica pela ingestão de moscas mortas, no alimento ou na água. As larvas são depositadas perto da boca, deglutidas e completam o ciclo no estômago; ou, ainda, são depositadas no focinho e migram para os pulmões ou permanecem na pele, causando reação inflamatória e alérgica. Ainda, se as larvas forem depositadas na cavidade ocular, pode-se desenvolver a habronemose conjuntival. A habronemose cutânea se desenvolve quando a mosca pousa em uma ferida aberta ou áreas cronicamente úmidas.
             A habronemose cutânea dificilmente leva à morte, mas frequentemente causa prejuízos estéticos nos animais, gerando depreciação econômica.

Foto 2 - Aspecto da habronemose cutânea na região da face (próximo ao olho).

A lesão começa como pequenas pápulas com centro erodido. O desenvolvimento é rápido e as lesões podem atingir 30 cm de diâmetro em poucos meses, em função do tecido de granulação formado pela irritação constante, este de aspecto esponjoso (daí o nome popular), róseo e sangra facilmente. No início, pode haver prurido intenso e isso pode levar ao auto-traumatismo.
O diagnóstico é feito através do histórico da presença de moscas, feridas não tratadas, programa de desverminação desatualizado; do aspecto da lesão, que pode ser confundida principalmente com sarcóide, pitiose ou tecido de granulação exuberante. Para confirmar o diagnóstico, a biópsia é o exame mais indicado, embora também possam ser feitos raspados de pele. O que chama a atenção é que a habronemose cutânea não responde aos tratamentos convencionais de feridas.
O tratamento se baseia na associação de agentes sistêmicos e locais, pois uma terapia isolada geralmente não é eficaz contra a habronemose. O objetivo do tratamento é matar as larvas presentes no estômago, enquanto controla-se a inflamação resultante da sua deposição errática na pele, já que não faz parte do seu ciclo de vida a migração para este local. As larvas na pele não sobrevivem, por isso causam irritação, desta forma, não é necessário utilizar produtos larvicidas no local da ferida.
Para combater o ciclo do Habronema spp. deve-se vermifugar o animal com bases capazes de atuar contra esse gênero de helminto, como a ivermectina, abamectina, moxidectina e o triclorfon. A terapia tópica com fármacos antimicrobianos e antiinflamatórios, debridantes, penetrantes e protetores, podem ser aplicados diariamente, sob a proteção de bandagens. Manter a ferida coberta é importante para evitar infecções secundárias, traumatismos e reinfestações.
A cirurgia, com a excisão completa do tecido de granulação, pode ser necessária, quando o tamanho da ferida é incompatível com o tratamento somente com produtos químicos.
         O controle é fundamental para afastar a habronemose da propriedade. Algumas medidas importantes incluem a remoção e destinação adequada das fezes para esterqueiras ou locais que dificultem as moscas de encontrarem animais onde possam depositar as larvas e, principalmente, removendo a matéria orgânica com a qual se alimentam e completam seu ciclo de vida; administração de anti-helmínticos periódicos e, de preferência, em massa, para que haja um controle e erradicação do ciclo gástrico; utilização de armadilhas mosquicidas, impedindo a atuação do vetor; e tratamento adequado de ferimentos e escoriações, mantendo sempre limpos e protegidos.


Agradecemos a Priscila F. R. Lopes (Médica Veterinária) e Alexandre Breder (integrante do blog) que montaram essa matéria.