sexta-feira, 23 de abril de 2010

Mastite Bovina





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Definições de Mastite

Mastite é a inflamação da glândula mamária. O propósito da resposta inflamatória no úbere é neutralizar ou destruir os agentes infecciosos e suas toxinas, permitindo o retorno da glândula mamária à sua função normal.

Microorganismos que causam a mastite bovina

A mastite é causada por numerosos patógenos e uma ampla variedade e magnitude de respostas fisiológicas para a ocorrência desses microorganismos. A maior parte dos casos de mastite é causada por bactéria, porém outros tipos de microorganismos incluindo fungos, mycoplasmas e até mesmo algas ocasionalmente provocam infecções intramamárias. Vírus são raramente uma causa de infecção primária da glândula mamária bovina.A maioria das infecções é causada por poucos tipos de bactérias (staphylococci, streptococci e algumas espécies Gram-negativas). Um importante conceito na compreensão da mastite é que esses patógenos comuns são agrupados em duas categorias: as bactérias contagiosas, as quais são disseminadas dos quartos infectados para outros quartos e vacas, e as bactérias ambientais, que são as mais comumente existentes nas propriedades e podem atingir o teto do fim até a fonte. Essa distinção é de importância prática, uma vez que medidas diferentes de controle são requeridas por grupos distintos de microorganismos.

Os fatores que predispõem à mastite são:

. Falta de higiene durante a ordenha;
. Defeitos nas ordenhadeiras;
. Má administração do sistema de ordenha;
. Ferimentos nos tetos;. Irritação dos tetos;
. Alta carga de patógenos no ambiente (desafio elevado).


As infecções são diagnosticadas e o patógeno identificado através da cultura de uma amostra do leite coletada assepticamente. As mastites são identificadas através de sinais clínicos ou pelo resultado de testes clínicos específicos. Nos casos clínicos, na prática diária, é feito um diagnóstico pelo exame do leite de cada teto e dos sinais clínicos e através do conhecimento dos patógenos predominantes na propriedade e no rebanho. Entretanto, esse diagnóstico deve ser confirmado por cultura de amostras de leite, isolamento e identificação da bactéria. Testes de sensibilidade das bactérias isoladas aos diversos antimicrobianos são realizados com a finalidade de determinar ou confirmar a eficácia da terapia utilizada.

As mastites podem ser de dois tipos: mastite clinica - dividida em superaguda, aguda e sub-aguda - e mastite sub-clínica. A mastite clínica é aquela que apresenta sinais clínicos, visíveis a olho nu; já a mastite sub-clínica é desprovida de sinais clínicos, podendo ser diagnosticada somente com o auxílio de exames de CCS (contagem das células somáticas).

1. CLÍNICA

1.1 Super-aguda (“Severa”). Inchaço, calor, dor e secreções anormais na glândula mamária são acompanhados por febre e outros sinais de distúrbio sistêmico como: depressão acentuada, pulsação fraca, olhos fundos, fraqueza e anorexia.
1.2 Aguda (“Moderada”). As alterações na glândula mamária são similares às já citadas, porém a depressão, febre e a anorexia são de leve a moderada.
1.3. Sub-aguda (“Leve”). Não há alterações sistêmicas e as alterações na glândula e suas secreções são menos acentuadas.

2. SUB-CLÍNICA

A reação inflamatória é detectável somente através da contagem eletrônica de células – um teste mais preciso para diagnóstico - que é feita a intervalos regulares, a fim de detectar a quantidade de células de defesa no leite ou de testes subjetivos como o CMT (California Mastitis Test), Wisconsin Mastitis Test, Nagase Test.Alterações na secreção podem variar desde um líquido aquoso com alguns grumos (exemplo: mastite clínica sub-aguda por Staphylococcus) ou um líquido aquoso ou seroso com grandes grumos amarelos (exemplo: mastites aguda ou superagudas causadas por Streptococcus, Staphylococcus ou Mycoplasma) até um líquido aquoso, de coloração escura e com grumos (exemplo: mastites causadas por coliformes ou Mycoplasma). (vide quadro de observações clínicas no item 5 – Tratamento Pró-ativo). Em casos de mastites crônicas severas, a glândula afetada perderá sua capacidade produtiva e pode tanto atrofiar-se como desenvolver abscessos nodulares ou massas similares a granulomas dentro do parênquima.

As mastites são, de um modo geral, divididas em duas categorias: mastites contagiosas e mastites ambientais.

3.1 Mastite contagiosa

Bactéria contagiosa

As bactérias contagiosas mais comuns são a Streptococcus agalactiae e a Staphylococcus aureus. Os reservatórios-chefe dessa bactéria são os úberes infectados. Todavia, a S. aureus também prontamente coloniza o canal do teto e a pele do teto que está ferida ou com fissuras e o microorganismo deve sobreviver em outras regiões da vaca. A Staphylococcus aureus foi isolada em alguns rebanhos dos quartos de novilhas, ambos antes e após a parição. Deste modo, as novas infecções pela S. aureus em rebanhos novos podem ser uma origem da nova S. aureus introduzidas no rebanho.Microorganismos contagiosos são bem adaptados à sobrevivência no úbere e usualmente estabelecem infecções sub-clínicas suaves de longa duração (infecções crônicas). Essas bactérias são disseminadas no leite de quartos infectados e a transmissão para quartos não infectados e vacas pode ocorrer principalmente no momento da ordenha.

Objetos importantes que podem disseminar essas bactérias são máquinas de ordenha contaminadas, toalhas de pano e as mãos dos operadores de máquinas. Ocasionalmente, a Str. Agalactiae das vacas infectadas causa uma alta contagem de bactérias no leite do rebanho.Com a prática do controle da mastite já disponível, a Str. Agalactiae pode ser erradicada de rebanhos individuais e a Str. aureus pode ser reduzida a níveis extremamente baixos na maioria dos rebanhos e erradicadas de alguns deles. Entretanto, essas bactérias são ainda muito disseminadas em alguns rebanhos leiteiros, particularmente aqueles que não implementam um banho de inseticida eficaz nos tetos e programas terapêuticos de vacas secas, continuando a causar sérias perdas econômicas nesses rebanhos. Veja o esquema de transmissão. Clique para ampliar.

3.2 Mastite ambiental

Bactéria ambiental

As bactérias ambientais que comumente causam mastite bovina incluem alguns tipos de streptococci, enterococci e o grupo do coliforme. Essas diferem das bactérias contagiosas no sentido que existem no ambiente onde a vaca fica (propriedades). Algumas delas, especialmente as Escherichia coli e as enterococci, estão presentes nas fezes das vacas; outras são comuns no solo, material vegetal e camas. Em uma base prática, elas não podem ser eliminadas do ambiente da vaca. Uma vez estabelecidas as infecções do úbere com esses tipos de bactéria, a propagação de um quarto para o outro quartos pode provavelmente ocorrer, porém essa via de transmissão não é essencial e contribui pouco para a via das novas infecções do ambiente.

Uma alta proporção de novas infecções por patógenos ambientais ocorre no período seco e em torno do momento de parir. A suscetibilidade é a maior durante as duas semanas após a secagem e novamente durante as duas semanas anteriores à parição. Durante a lactação, a suscetibilidade é a maior depois da parição e declina progressivamente à medida que a lactação avança. A taxa de infecções tende a crescer durante períodos de clima quente e úmido; isso está associado com os crescentes números de bactérias nas camas e talvez com o aumento da suscetibilidade das vacas. Sessenta a 70% das infecções patógenas ambientais existirão por menos de 30 dias. Aproximadamente 40 a 50% das infecções estreptocócicas ambientais e 80% das infecções por coliformes presentes na lactação resultarão em mastite clínica. Cerca de 10% das infecções por coliformes presentes na lactação irão causar mastite superaguda (ou severa), requerendo terapia intensiva e serviços veterinários. A mastite severa por coliforme muitas vezes resulta numa lactação seriamente prejudicada e pode culminar na morte da vaca. Muitos casos de mastite clínica por coliformes apresentam visivelmente um leite irregular e suave a moderado inchaço do quarto infectado, mas pouca ou não sistêmica dificuldade. Infecções crônicas por coliformes podem ocorrer; essas são usualmente causadas por outros coliformes que não os E. coli.Os métodos de controle existentes têm menos eficácia no controle da mastite ambiental que no da contagiosa. Em rebanhos bem-administrados nos quais as Str. agalactiae e S. aureus estão controladas, a mastite causada por bactérias do ambiente pode continuar sendo um sério problema de saúde no rebanho. O desenvolvimento de métodos mais eficazes para o controle da mastite ambiental é um contínuo desafio para os pesquisadores da mastite. Veja o esquema de transmissão. Clique para ampliar.

Streptococcus dygalactiae é uma nitidamente comum causa da mastite que pode comportar-se tanto como o tipo de microorganismo contagioso como o ambiental. A Streptotoccus dysgalactiae é prontamente controlada através do pré e pós-dipping do teto (imersão do teto em solução desinfetante) e do tratamento da vaca seca, sugerindo que a transmissão, muitas vezes, é feita de vaca para vaca. Contudo, as novas infecções podem ser estabelecidas quando não houver infecções intramamárias correntes no rebanho. Nesses casos, a origem dos microorganismos pode estar em outras regiões da vaca ou do ambiente.

3.3 Outros comuns patógenos da mastite

Alguns outros tipos de bactérias comumente habitam o úbere bovino, mas causam somente um pequeno grau de irritação e só raramente produzem a mastite clínica. Elas incluem um grupo de espécies de Staphylococcus que não a S. aureus (às vezes relacionada à staphylococci coagulase-negativa ou CNS) e a Corynebacterium bovis. Historicamente, essas foram denominadas patógenos secundários. Esses patógenos são importantes porque são as mais prevalecentes espécies de bactérias isoladas das glândulas afetadas na maior parte dos rebanhos. Além disso, sua presença usualmente causa um aumento de dois a três pontos no escore da contagem de células somáticas (CCS). O efeito das espécies Staphylococcus no rendimento do leite não foi estudado extensivamente, mas existem relatos de que essas bactérias podem causar uma significativa perda da produção. Todavia, o pequeno aumento na CCS produzida deve dispor de alguma classe de proteção contra as bactérias mais patogênicas.As espécies de Staphylococcus incluem um diversificado grupo de microorganismos e são os microorganismos mais prevalentes isolados das amostras de leite nos rebanhos, usando as medidas de controle atualmente recomendadas. As Staphylococcus chromogenes e as Staphylococcus hyicus são duas das espécies mais comuns isoladas das amostras de leite e do canal do teto na maior parte dos rebanhos. Apesar das Staphylococcus xylolus e as Staphylococcus sciuri serem achadas vivendo livremente no ambiente, as espécies de Staphylococcus restantes aparecem como parte da microflora normal da pele do teto. A prevalência dessas infecções tende a ser mais alta nas vacas de primeira lactação do que em vacas mais velhas e a prevalência será mais alta imediatamente após a parição (tendo origem no período seco) que na sobra da lactação. Apesar de essas infecções serem tipicamente associadas com somente aumentos moderados na CCS, as contagens acima de 500.000 / milímetros (ml) podem, ocasionalmente, serem observadas no leite dos quartos infectados. O uso de um banho de inseticida eficaz no teto no período pós-ordenha é a melhor maneira de controlar infecções pelas espécies de Staphylococcus. A terapia da vaca seca eliminará uma alta proporção de infecções existentes no fim de uma lactação, porém novas infecções no período seco podem ser esperadas.Outro microorganismo levemente patogênico que é comum em alguns rebanhos é o Corynebacterium bovis. O principal reservatório desta bactéria costuma ser úberes infectados ou ductos do teto e a C.bovis parece ser disseminada rapidamente de vaca para vaca na ausência de apropriado pré e pós-dipping do teto. A prevalência do C. bovis deve ser extremamente baixa em rebanhos que praticam uma eficaz desinfecção dos tetos, uma higiene no manejo de ordenha e uma terapia de vaca seca. A presença do C. bovis em um quarto é relatada para reduzir a probabilidade de infecção subseqüente com o S. aureus, mas para aumentar a chance de infecção com Str. agalactiae e o streptococci do ambiente.


Postado por: Josiane Breder e Deyvid Lopes.

2 comentários:

  1. oi meu nome é patricia.vendemos 6 vacas de leite ao nosso vizinho,alguns dias depois ele detectou q elas estavam com mastite,e esta nos processando por isso. PARTICIPAMOS DO PROGRAMA BALDE CHEIO DA EMPRAPA,NOSSO LEITE ESTAVA SENDO RECEBIDO PELA COOPERATIVA E LATICINIO.O Q PRECISAMOS É DE UMA DECLARAÇAO DE COMO ELAS ADQUIRIRAM A MASTITE Q É O CASO DO NOSSO VIZINHO QUE É:FALTA DE HIGIENE,STRESS ANIMAL,POIS ELE MALTRATA OS ANIMAIS,NO PRIMEIRO DIA JA MISTUROU OS NOSSOS ANIMAIS COM OS DELE(STRESS)PULSADOR DA ORDENHADEIRA DESRREGULADO...E NAO EXISTE NOMENCLATURA COM ESTAS DEFINIÇOES,O Q PODEMOS FAZER? pmpalpemp@hotmail.com

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  2. Deve se tomar muito cuidado com a mastite, ela causa sérios danos na produção de leite, um dos maiores prejuízos dos produtores de leite está ligado a mastite.

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